Dia do Imigrante

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Por Thiele Piotto.

Hoje é Dia do Imigrante, o que nos convida a uma reflexão muito importante para nossa vivência cristã e que, infelizmente, é pouco discutida entre nossos grupos.

A imigração é um fenômeno social que acontece desde os tempos mais remotos e envolve todos os povos, porque o dinamismo econômico e a estrutura social mudam de um local para outro no decorrer do tempo, ou seja, em cada época há lugares mais desenvolvidos diante de outros, e é evidente que tais lugares atrairão os olhares de quem vive sem algumas condições básicas. Assim, a pessoa deixa sua terra em busca de uma melhoria de vida. A imigração significa, em sua essência, a busca por oportunidades que não foram encontradas em seu lugar de origem e, apesar de parecer prejudicial para a nação-destino a entrada de muitos estrangeiros, a imigração pode significar benefícios demográficos e financeiros, se for bem acolhida e organizada.

No entanto, o que mais nos interessa conscientizar hoje é sobre os graves problemas que reportam à imigração, que é a xenofobia e a marginalização daquele que julgamos diferente de nós, mas que de fato são habitantes do mesmo espaço que Deus criou e povoou com a nossa existência (cf. Gn 9,1).

Nenhum de nós decide onde nascer. O africano nasceu na África; o europeu, na Europa; o americano, na América… Nenhum de nós decide a cor da própria pele. Se o homem conseguisse entender essas simples constatações, não julgaria o outro pelo local do nascimento ou pela cor da pele, mas sentiria que ‘o outro sou eu’” (Texto retirado do blog do Arsenal da Esperança).

Há algumas semanas veio a público um vídeo em que um homem humilha um trabalhador haitiano em Porto Alegre, alegando que ele e seus companheiros vieram “roubar” o emprego de muitos brasileiros. É triste pensar que essa mentalidade egoísta se dissemina tanto entre os povos. Permeados por essa ideia, esquecemos que nossos irmãos e irmãs que se arriscam na imigração deixam sua cultura, sua terra e enfrentam viagens extenuantes para fugir de seus dramas (guerras, pobreza, fome). O papa Francisco nos ensina que a realidade da imigração exige de nós a prática da hospitalidade e da partilha, não da indiferença. Devemos tem em mente e no coração as palavras de Jesus, quando Ele nos mostra que a atenção que dispensamos ao estrangeiro é a mesma que dispensamos ao próprio Senhor (cf. Mt 25, 31-46):

“Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me rece­bestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar. […] Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”

Que nesse Dia do Imigrante possamos nos conscientizar das nossas responsabilidades diante desses irmãos que vivem da saudade e da esperança de uma oportunidade melhor, que saibamos aprender e respeitar sua cultura, praticar a interdependência em nível global (cujos processos nunca foram tão frequentes na História) e que possamos acolhê-los como acolhemos o próprio Cristo em nossos corações, protegendo sua dignidade de tantos que tentam ofendê-la, por meio de humilhações, explorações do trabalho humano, injustiças e marginalização.

A imigração pode incluir aspectos problemáticos ou negativos à sociedade, que devem ser seriamente observados e trabalhados, mas em sua essência, deve motivar nosso perfeito gesto cristão de melhorar as condições da família humana. “Cada pessoa, afinal, pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos.” (Papa Francisco)

Precisamos santificar e entregar a Cristo uma característica (talvez a única favorável) do conhecido “jeitinho brasileiro”…

Esse tal “jeitinho” é um conjunto de características que as experiências internacionais traçam sobre nós. Essa definição costuma apresentar um caráter bastante questionável e que devemos combater (a malandragem, a corrupção e a vadiagem, por exemplo). No entanto, há, entre alguns injustos preconceitos, um aspecto do qual devemos nos orgulhar e lutar para manter: somos um povo acolhedor, miscigenado e prestativo. Não podemos nos deixar levar pela mentalidade da xenofobia e devemos, com consciência cristã, oferecer abrigo a Jesus que bate à nossa porta por meio do irmão estrangeiro.

Desejamos, assim, que o Dia do Imigrante jamais signifique o dia da exclusão, da fome e da marginalização. Que em nossos lares e em nossos corações encontrem abrigo e conforto depois de tantos perigos pelos quais eles passaram pela esperança de uma vida melhor.

Aproveite para conhecer um pouco do trabalho do Arsenal da Esperança, cujas portas já se abriram à nossa Diocese para visitas e apresentação do FlashMob, e assista ao vídeo publicado pelo canal G1, em que um grupo de refugiados cantam em agradecimento ao abrigo que encontraram no Brasil.

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