Diário de um Seminarista – Congresso Eucarístico – 1ª Parte

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Por Hamilton Gomes, seminarista e correspondente.

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Hamilton, nosso correspondente.

Olá!

Assim começo a contar uma pequena aventura, dentre as de tanta gente que está aqui no XVII Congresso Eucarístico Nacional. A maioria das pessoas, especialmente as mais jovens, podem se perguntar: “para que serve um congresso eucarístico?”.

Ao longo desses dias, até segunda-feira, faremos a busca dessa resposta, sob o olhar do título que me foi sugerido para esta série: “Diário de um seminarista”.

Dia 15 de agosto de 2016, primeiro dia

Pela manhã, saí do seminário com a preocupação de chegar atrasado, pois já eram 8h30 e deveria estar na praça do Carmo às 9h. Imediatamente chegou ao ponto um T-27 (conhecido pelos andreenses como Condomínio Maracanã) e com ele cheguei.

No prédio da Mitra já estavam muitos companheiros e companheiras de jornada. Com uma van da Cáritas, nos dispusemos a ir à Congonhas. Nesse caminho, fomos nos conhecendo: dois padres, um diácono permanente, ministros extraordinários da comunhão, um representante da Comissão Missionária, uma da equipe de liturgia, um religioso e eu, um seminarista. Para minha surpresa, na hora do almoço, descobri que sou o caçula do grupo, isso é crítico, pois tenho 27 anos (nestes textos vou me permitir reagir como faço no dia-a-dia: rsrsrsrs…). Pelas contas da ciência sou um jovem-adulto. Mas com o passar dos dias percebo que, se tudo continuar assim, em algumas décadas serei um jovem idoso.

No avião me vi entre dois padres com quem pouco conversei até hoje: o Pe. Edmar, que foi meu professor no propedêutico, e o Pe. Zezão, com quem não tive contato, mas trocamos muitas palavras no avião. Foi muito bom… conhecer pessoas é sempre bom.

Chegamos a Belém, no aeroporto Val-de-Cans e, para nossa surpresa, Deus já providenciou a primeira notícia nova: as 17h já estávamos saindo do Aeroporto, e propus ao Júnior (membro do ECC da Paróquia Santa Maria Goretti do Guamá, aqui em Belém) que me levasse ao Mangueirão, onde foi a missa de abertura.

Chegando no Mangueirão, que, apesar da precariedade, é um estádio olímpico, saí correndo (literalmente) atrás do kit (coisas que lembram as JMJs) e da entrada, a fim de pegar o Congresso Completo. Consegui o kit e, subindo as rampas do Estádio, ao som de “Vem, vem, vem, Espírito Santo, transforma minha vida, quero renascer”, cheguei à arquibancada quase repleta.

Após a saudação das autoridades e a mensagem do Papa, iniciou-se a missa, presidida por um grande amigo de nossa diocese: Dom Cláudio Hummes, que foi nosso bispo entre 1975 e 1996. Essa missa, repleta de luzinhas de velas, que nos lembrou a história do Círio (aqui, de Nazaré), iluminou-me, e, foi a primeira causa de choro, emoção por ter conseguido chegar e também, por estar na história deste congresso como um participante. Ao longo dos dias contarei o que isto representa a mim, é muito, e há pouco mais de um mês não parecia nem hipótese concreta.

Jesus Eucarístico foi levado numa picape, passando lentamente na raia olímpica, e todos passaram com ele um bom tempo.

Ao fim da missa, na saída do estádio, ligando para São Paulo, falei assim: “estou indo para a paróquia Santa Maria Goretti”, e, algumas pessoas já me olharam, confirmei concretamente o que se diz da hospitalidade do paraense. Saímos correndo: Maria, Débora, Letícia e eu, para o ônibus.

Chegando na casa de acolhida, de Dona Venina, Suzi, Cascais (isso com o sotaque paraense fica igual a um português falando), Cadu e uma pequenina de alguns meses, soube que meu endereço por uma semana seria na Rua Paulo Cícero, rua que é cortada pela divisa dos bairros de Condor e Guamá. Foi o primeiro dia, eu vi que tudo era bom!

16 de agosto de 2016, segundo dia.

Após uma bela noite de sono, acordei feliz para ir para congresso. E fui de carona à Paróquia São Pedro e São Paulo, no Guamá, onde participei de uma missa presidida por Dom Gregório Paixão, bispo de Petrópolis. Ao vê-lo presidir a missa, pensei no que li no texto base, que propõe participar da missa na perspectiva de Maria, que acompanhou Cristo pela vida, na felicidade e na dor. A primeira missa daqui me deixou ver o lado alegre, havia centenas de crianças e jovens de escolas católicas, que Dom Gregório entreteve com uma homilia muito bem feita. Na saída, fui cumprimentá-lo na porta e ele me desejou perseverança. Saindo dali, usei o complexo sistema de ônibus de Belém, que só têm ônibus circulares, e após uma grande volta, avistei a Baía do Guajará, sob a moldura do Mercado Ver-o-Peso. Encontrei-me com as senhoras do grupo de Santo André com Dom Odilo Pedro Scherer na porta da Catedral, após uma foto com ele, seguimos para a Igreja da Trindade, onde participamos da missa em rito maronita.

Na missa estavam no presbitério o Pe. Edmar e o Diác. Vicente, o destaque foi ele convidar o povo a rezar pelas vocações. Dali, seguimos para a Catedral a fim de encontrar o Pe. Zezão.

Eu pretendia participar da Jornada Pastoral na região em que estou hospedado, e para tal, deixei o grupo e saí andando, de início pelas ruas que me levaram a uma Europa que não conheço. Ruas estreitas, casarões ora belos, ora caindo. Dali, praças com muitas mangueiras (a marca de Belém) e avenidas bem largas. Meus primeiros passos me levaram a almoçar (em um shopping que lembra os nossos), e depois de mais alguns passos, a adentrar à bela Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. O cansaço não me deixou ter grandes experiências ali, espero tê-las amanhã, mas as graças do dia ainda me esperavam na Escola Berço de Belém, onde seria a Jornada. Ao atravessar uma avenida, vi um trio elétrico em um caminhão velho (um Chevrolet D60), e jovens da paróquia N. S. de Fátima fazendo uma procissão, não eram muitos, mas eram animados.

Alguma dúvida se entrei no meio?

Claro, entrei no meio e andei mais para o destino, mas com a alegria deles andaria mais e mais. Chegando à escola das irmãs, tomei chopp.

Epa! (Quem me conhece sabe que não sou chegado a álcool).

Aqui em Belém o chopp é o geladinho de São Paulo, ou o “dindin” do nordeste. Aqui é muito quente, e, isso foi a melhor opção. Aqui em Belém, pode ser que eu beba mais chopp, rsrsrs…

Na jornada preparada pela região, o tema era juventude, e a experiência que tive reforça o “jovem” do jovem-adulto. Neste encontro tivemos a visita de quase dez bispos, alguns mais jovens e o Dom Geraldo que mora em Belo Horizonte, que animou muito a massa de jovens, na alegria de seus mais de 80 anos. Ao fim do dia e depois de muitas danças, para as quais eu fui (recordando os tempos em que trabalhei na Vila Curuçá e na Pauliceia em que eu dançava muito nos grupos de jovens e afins), isso me rejuvenesceu alguns meses.

No fim do dia, diante do Santíssimo Sacramento, o mesmo Dom Gregório Paixão nos incentivou a nunca deixar que ninguém nos faça desistir do que queremos. A perseverar. Voltei a pé para a casa onde estou e com a família de Dona Venina, conversamos sobre muitas coisas, tomando o legítimo açaí do Pará (que me faz dizer que aí em São Paulo tomamos algo que mereceria até outro nome, rsrsrs…). E tudo foi bom, segundo dia!

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