Diário de um Seminarista – Congresso Eucarístico – 2ª Parte

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Por Hamilton Gomes, seminarista e correspondente.

17 de agosto de 2016, terceiro dia

Encontro de grandes amigos na grande família da Igreja

Obrigado a você que já retorna à página do Setor Juventude para acompanhar esta Jornada! Sinto-me feliz em perceber que a Diocese está, de fato, conosco, congressistas aqui em Belém. Peço a desculpas de não começar com “meu querido diário” (rs)…

A manhã de hoje começou no Hangar (Centro de Convenções da Amazônia), onde conheci o Pe. Sebastião, da Diocese de Óbidos, que fica a 900 Km de Belém, ainda estado do Pará. Ele me acompanhou na palestra do Café Teológico promovida pelos irmãos seminaristas do Seminário Arquidiocesano São Pio X, que fica na Região Metropolitana, cidade de Ananindeua. O Café Teológico contou com a participação do Pe. Danilo, da Arquidiocese de Belo Horizonte, ele costurou a mesa eucarística a partir daquela aclamação memorial que rezamos na missa: “Anunciamos Senhor a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!”. Palestra grande, que girou em torno destas frases.

Na ocasião tive a oportunidade de encontrar dois amigos: a Nádia, da Arquidiocese de Porto Velho, conhecida dos missionários que foram à Jaci-Paraná, Monte Negro e Campo Novo de Rondônia, entre 2012 e 2014. E o Daniel, que estuda comigo desde 2010, seminarista da Arquidiocese de São Paulo.

Saindo do Hangar, tinha a missão de chegar ao Centro de Belém em pouco mais de duas horas e almoçar antes.

Pergunto a vocês, qual o lugar que vocês pensariam em comer numa cidade grande, considerando que aqui em Belém, muitos bairros tem o costume de fechar o comércio na hora do almoço?

Sim, Shopping, exato. Somos jovens, a primeira coisa que passa na cabeça é Shopping. E, contemplando o Google Maps, vi que o ônibus que peguei passaria no Boulevard Shopping, no Bairro do Reduto. Lá, nada diferente dos shoppings, exceto a impressão de que ele se destina à alta classe de Belém, alta mesmo, com lojas que talvez num shopping ou outro aí de São Paulo se ache. Lá fiquei, e contemplei a beleza de tudo.

Saindo, mais uma vez a cerimônia de perguntar nos pontos, qual ônibus passa em tal canto? E lá fui eu para o Ver-O-Peso. Desci exatamente na chamada Estação das Artes, um pedaço do porto de Belém que foi restaurado e ficou muito legal, ali perto é o Terminal de Barcas, que recebe uma grande população que vem do interior da Amazônia, talvez aquele lugar seja o principal meio de ligação dos rincões da Amazônia com o Brasil.

Ali, fui movido pelo Espírito a mudar meus planos de ir à Catedral. Como disse ontem, estou relutando um pouco em ir à Catedral para ir em outros lugares, menos badalados, coisas de quem é curioso. E, avistei duas torres desgastadas, tratava-se da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. Ir à Reitoria das Mercês me permitiu conhecer um cartão postal do Pará, o mercado Ver-O-Peso.

Para que fique claro o que seria o mercado, somem o seguinte: 25 de Março + Galeria Pagé + Feira do seu bairro + Avícola  + Casa de Produtos Religiosos (não tão católicos) + Centro de Apoio ao Romeiro… Taí, é o Ver-O-Peso, um lugar que vende praticamente de tudo. Para que você imagine melhor pense nos aromas: roupas + peixe + aves + lanches + frutas (algumas que nunca vi) + incenso das lojas de 1,99  =  aroma do ver o peso. É diferente, recomendo que quem vier a Belém conheça isso que é a vida do povo.

Cheguei às Mercês, Igreja muito bonita, construída em 1640 e que abrigou o convento dos padres mercedários até que estes foram expulsos do Brasil. Tem a ver com a Cabanagem, evento que você que é vestibulando deve estudar. A Igreja, gigante, virou depósito de armas, o convento virou armazém militar. Restaurada apenas no século XIX. Está acabadinha, mas tem dois charmes: o interior em estilo português, com muitos detalhes barrocos, e o segundo é que o guarda não impede alguns moradores de rua de refrescar-se do calor dormindo lá.

A missa foi presidida pelo Cônego Cláudio Barradas, senhorzinho de mais de 80 anos que convidou os presentes a serem fieis e amarem a Eucaristia. Nesta mesma Igreja, Dom Alberto (de quem falo já já), está instalando um Santuário de Adoração Eucarística. O ostensório tem “apenas” 1,80 metro. Para começar a missa as senhoras de véu cantam “Glória a Jesus na hóstia santa” enquanto uma cortina, quase que por mágica, esconde o gigante objeto sacro que contém a maior joia da Igreja.

Saindo dali, já muito feliz com a perseverança daquele povo que reza numa região muito decadente da cidade, tomei mais um ônibus para o Portal da Amazônia, onde ocorreu o que chamo de Centro do Congresso, até aqui:

Lá uma multidão se reuniu para aguardar Jesus Eucarístico que saiu de Manaus-AM no dia 8, com uma comitiva de 300 pessoas, tendo entre eles o Arcebispo Dom Sérgio Castriani, a quem tive a graça de conhecer em 2013. O grande ostensório chegou. Estavam lá, como se diz nos documentos antigos: “grande número de povo” e muitos bispos, dentre eles três cardeais. Tive grande alegria ao ver, quem eu acho que era, Dom Azcona, bispo emérito do Marajó. Recomendo a todo mundo do Setor Juventude a procurar no YouTube um vídeo da TV Aparecida sobre Dom Azcona, é muito legal.

Por falar em Dom, um grande dom na minha vida hoje foi o Dom Alberto Taveira. Relato, nestas linhas, uma experiência única:

Quando ele colocou o ostensório, motivou a multidão a adorar, e para adorar, ensinou à assembleia reunida um método com quatro passos, que aqui partilho com vocês:

  1. Louvor: momento de elogiar Jesus pelo que ele é na nossa vida.
  2. Ação de graças: agradecer a Jesus, por tudo o que ele nos fez.
  3. Perdão: fazer passar um filme na cabeça sobre os pecados, e contemplar isso com misericórdia (Dom Alberto pediu que fechássemos os olhos para poder contemplar isso).
  4. Súplica: rezar por todas as pessoas e por todas as intenções. (O arcebispo de Belém convidou a todos a rezar em voz alta as intenções, uma multidão infindável fazendo isso à beira do Rio Guamá, foi lindo, todos com os braços na direção do Santíssimo).

Terminando esse itinerário, Dom Alberto pediu ainda que estendêssemos às mãos sobre o Rio Guamá, e ao som de “Podes Reinar” pedíssemos que Deus seja de fato reconhecido como Rei.

Depois desse evento, perseverei na “praia” mais um pouco, até decidir voltar. Na volta, perguntei aos guardas: “Onde pego uma van para o Guamá?”, eles responderam: “você vai para o Guamá?” (cara de indignação). “Vou”. Daí saiu o seguinte: “Vixi, é periferia, vai de ônibus”.

E, lá fui pegar o ônibus, me foi sugerido o “Cremação”, nome meio estranho, mas lá vamos nós! Rsrsrs… No caminho, não tive como não lembrar do Shopping, passando em alta velocidade pela rua Bernardino Sayão, bairro de Jurunas, contemplei cenas de pobreza tão tristes como as que vejo na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe de Santo André, onde faço pastoral. Sobre um grande esgoto uma vila imensa se constrói. Ali, lembrei-me do Shopping, numa Belém que parece, olhando para o Jurunas, um outro mundo.

Vem a pergunta: E Jesus nisso, será que a comunhão já foi posta em prática?

Fica a proposta do Cônego Cláudio: “Para levar Jesus a alguém, seja Jesus; para levar a Bíblia a alguém, seja a Bíblia!”

Daqui da cidade das mangueiras, vejo que tudo era bom, mas pode melhorar.

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