Doutrina Social da Igreja e Sociedade

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Prezado leitor, gostaria nesta ocasião de apresentar-lhes a reflexão da Igreja em sua perspectiva social, e como está se relaciona nesta sociedade, esta é a chamada Doutrina Social da Igreja.

O ser humano, na concepção cristã, só pode ser compreendido referindo-se ao mistério de Deus, que se revelou em Jesus Cristo, seu filho e homem perfeito (GS 22;24). Assim, criado à imagem de Deus, que é comunhão de amor, o ser humano é chamado a realizar-se em comunhão e união solidária com seus semelhantes. Este é o fundamento da comunidade humana.

A pessoa humana voltada para a construção da unidade do gênero humano ajuda a formar a civilização do amor, que é o eixo fundamental da Doutrina Social da Igreja (cf. Bento XVI in Caritas in Veritate). Deste modo, a comunidade humana não é vista somente como um projeto sociológico, mas tem um sentido teológico e moral. Não são as ideologias que devem dirigir a história, levando, infelizmente, cada geração a um desastre (nazismo, comunismo, mooísmo, capitalismo selvagem, etc). É o projeto de Deus que Jesus anuncia como Reinado de Deus que deve nortear a história humana.

A Igreja, neste contexto, tem uma função bem definida e uma missão muito clara: Ela deve ser servidora do Reino de Deus como: “humani generis ancilla” (Paulo VI, discurso de encerramento do Vaticano II). Enquanto a sociologia fala de “atores” ou “agentes”, a Igreja fala de “interlocutores” e “diálogo”. A Doutrina Social da Igreja, portanto, coloca a pessoa no centro da realidade cultural, econômica e associativa de toda ordem.

A Igreja vê a sociedade constituída por pessoas e não por coisas ou indivíduos isolados. A sociedade é formada por sujeitos no nível do “Tu” procurando criar o “Nós”. Assim, as estruturas, nesta concepção, estão subordinadas à pessoa, e estão a seu serviço.

A criatura humana é a única que Deus quis por si mesma, ela não se realiza plenamente a não ser no dom sincero de si, à exemplo do seu Criador. A sociedade, como comunidade de pessoas, deve criar condições para que isso se realize. Aqui está a finalidade da política como instrução da sociedade que visa levá-la à sua realização.

A finalidade da política é a criação, manutenção e desenvolvimento da sociedade como uma família; que desenvolve relações interpessoais que possibilitem a realização da pessoa humana. A política deve buscar a construção de uma realidade humana, pacífica, justa e fraterna na perspectiva do Plano de Deus. Busca, através do bem comum, o cuidado dos povos e a aplicação de leis justas.

Falar de ação política está associado à fala sobre a responsabilidade de todos cidadãos, sem delegar responsabilidades às elites de poder, partidos ou governos. A vocação pessoal de buscar o bem comum é de todos.

O desafio à ação política dos cristãos vem da sociedade excludente, que é fruto do sistema econômico dominante. Sistema que favorece ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres (Papa Francisco, EG 52).

A utopia cristã formulada pelo Magistério Social da Igreja dá-nos oportunidade de antever a sociedade sendo permeada pelos valores do Evangelho: a verdade, a gratuidade e os direitos humanos em especial. É nesta perspectiva que a Igreja do Grande ABC, a partir de sua fé, quer dialogar com a Sociedade e suas forças de governança, para, unidos, trabalharmos em favor da pessoa e da vida.

 

Artigo escrito por Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo Diocesano de Santo André, para o Jornal Diário do Grande ABC

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