Jovens, não tenham medo de se comprometer!

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“Não tenhais medo de dar passos definitivos”. Assim o Papa Francisco disse aos jovens na sua visita pastoral em Assis, na Itália, em 04 de outubro deste ano. A grande verdade é que existe certo sentimento de medo frente à realidade do compromisso, como algo definitivo. Quem não tem medo de abraçar a vocação matrimonial tendo a consciência de que é para a vida toda? Qual jovem não sentirá medo de abraçar o sacerdócio? Ou qual jovem não sentirá como desafio o chamado a uma vocação de consagração total a Deus?

Em Assis, o Papa nos recordou duas dificuldades frente ao compromisso. A primeira trata-se do egoísmo – esta palavra é escutada muito, mas parece que não nos importamos tanto, pois continuamos cada vez mais egoístas!

No matrimônio, por exemplo, existem pessoas que se aproximam com uma compreensão errônea, a de que abraçarão o matrimônio enquanto sentirem amor; e quando não mais o sentir, se separam e tomam novos caminhos. O importante mesmo nesta concepção é sempre o “Eu”, sem me importar com um “Tu”. Será que alguma pessoa consegue realizar-se de verdade sem uma base de compromisso definitivo?

“A outra dificuldade é esta cultura do provisório: parece que nada é definitivo! Uma vez ouvi um seminarista – bom – que dizia: ‘Quero tornar-me sacerdote, mas por dez anos. Depois, vou pensar’. É a cultura do provisório, mas Jesus não nos salvou provisoriamente: salvou-nos de modo definitivo!” [1]

Fazer do compromisso definitivo para com Deus e para com as pessoas algo simplesmente provisório está sendo o desastre de nossa sociedade. Como ser um jovem capaz de um compromisso definitivo, se o que contemplamos é o provisório? Por isso lembro aqui as palavras do Papa Francisco no encontro com os voluntários da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: “Eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes”! [2]

Este é o grande desejo de Deus não só para os jovens, mas para toda a humanidade: que não vivamos no provisório. Para isto, Jesus Cristo veio a este mundo, para dar à humanidade a graça de se libertar do provisório para um compromisso de eternidade. A vida só ganha verdadeiro sentido quando a fundamentamos numa realidade duradoura: Jesus Cristo.

O Papa Bento XVI, em 2007, visitando o Brasil, se dirigiu aos jovens em seu discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e os motivou a não se limitarem às modas, a não se deixarem levar pelas ilusões de felicidade: “os jovens encaram a existência como uma constante descoberta, não se limitando às modas e tendências comuns, indo mais além com uma curiosidade radical acerca do sentido da vida, e de Deus Pai-Criador e Deus-Filho Redentor no seio da família humana. Eles devem se comprometer com uma constante renovação do mundo à luz de Deus. Mais ainda: cabe-lhes a tarefa de oporem-se às fáceis ilusões da felicidade imediata e dos paraísos enganosos da droga, do prazer, do álcool, junto com todas as formas de violência”. [3]

Por padre Fábio Barbosa
Vice-reitor do Seminário Maior Diocesano de Anápolis-GO e Professor especialista na Faculdade Católica de Anápolis.

[1] http://www.news.va/pt/news/papa-em-assis-jovens-nao-tenham-medo-de-fazer-esco

[2] Pronunciamentos do Papa Francisco no Brasil. São Paulo: Loyola. 2013. P. 81.

[3] Palavras do Papa Bento XVI no Brasil. São Paulo: Paulinas. 2007. P. 126.

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