Namorados

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por Thiele Piotto

“Por isso deve ser reavaliado o noivado como tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projeto. O caminho de preparação para o matrimónio deve ser organizado nesta perspectiva.” (Papa Francisco)

A comemoração do Dia dos Namorados convida a refletir sobre essa etapa da vida de um casal.

O namoro remete ao momento do encontro, do interesse e da atração, mas vai além disso. O namoro é um começo de uma nova caminhada, compartilhada e trilhada de mãos dadas, uma caminhada de conhecimento e comprometimento com o outro, em vista de que os namorados saibam discernir se o relacionamento pode amadurecer e caminha para o enlace do sagrado matrimônio. Portanto, na sequência do primeiro momento, aquele do encontro e do interesse, devemos nos comprometer, com respeito e responsabilidade com aquela pessoa que o próprio Deus confiou aos nossos afetos.

Esse é um tempo de preparação, de conhecimento e crescimento mútuos e, mais importante ainda, é permeado por uma experiência que reside na essência do namoro e da vida cristã: a espera.

Nossa vida cristã depende da nossa confiança e espera do tempo de Deus. Não é à toa que Jesus nos ensina a pedir ao Pai “seja feita a Vossa vontade”. Significa que nos entregamos à vontade divina, que não está baseada em nossos próprios anseios. Em tudo devemos esperar e confiar. No namoro, noivado e casamento não seria diferente.

A espera se dá, muitas vezes, na expectativa de se encontrar alguém, depois disso, tem a espera de construir, passo a passo, um caminho em que, juntos, os namorados esperam o momento do noivado e do casamento. E a espera não para por aí na vida de um casal… existe a espera para o nascimento dos filhos, a espera pelo amadurecimento da família, enfim, em cada passo aprendemos a esperar em Deus a Sua divina vontade. E o namoro é o primeiro passo dessa vida de entrega a Deus. Recordemos o que o papa Francisco disse aos noivos, no mês passado[1]: “A aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimónio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar.” E, nessa caminhada, está a entrega e o cuidado diários com o outro e, acima de tudo, a espera em Deus.

“O amor não será mais o comércio entre um homem e uma mulher, mas o encontro entre uma humanidade e outra.” (Rilke, 1903). É importante saber que o sabor do namoro se dá no crescimento mútuo da humanidade de cada um, ou seja, o homem deve ajudar a mulher em seu crescimento, e a mulher também deve ser um auxílio para o crescimento do homem, como refletiu o papa Francisco em seu discurso aos noivos, em fevereiro de 2014[2]. O amor é o primeiro e o último fundamento do ser humano, e no namoro se descobre a necessidade de sair de si mesmo e encontrar em outra pessoa a oportunidade da partilha da própria vida.

O encontro dos namorados se trata de um encontro muito sonhado, inclusive pela Igreja, que confia na liberdade de escolha de seus filhos e os incentiva a viver um alto, ousado e permanente ideal de amor. Aliás, é pela particularidade livre e humana da escolha que entra a bênção de Deus e a busca pela santidade, pois cada casal, para se relacionar, precisa dar espaço ao próprio Cristo, que ensina a amar de maneira humana e indissolúvel.

Em certo discurso, o papa emérito meditou que “cada amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou”[3], e compara o namoro ao vinho que falta nas Bodas de Caná, pois a sociedade tem vivido valores altamente egocêntricos e oferecido tentadoras ofertas de ser feliz sozinho, ou pensando primeiro ou somente em si próprio. Por isso, falta o vinho bom, aquele que desafia corajosamente essa tendência e assume um compromisso permanente de cuidado e crescimento mútuos.

A maravilhosa experiência do casamento e de construir uma família com bons valores começa no encontro do namoro. Por isso, desde essa primeira etapa de um casal, é necessária a constante oração e o trabalho em conjunto para se respeitarem cada vez mais e construírem, em Deus, um caminho único.

Que Deus abençoe a união de cada casal e que seja feita a Sua vontade na vida de vocês. Feliz Dia dos Namorados!

“O tempo do noivado pode tornar-se deveras um tempo de iniciação, no quê? Na surpresa! Na surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se predispõe para viver na sua bênção.” (Papa Francisco)

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[1] Em 27 de maio de 2015, o papa Francisco dirigiu o tema de sua audiência geral aos noivos.
[2] Em 14 de fevereiro de 2014, o papa Francisco teve um encontro com noivos, na Praça São Pedro.
[3] Papa emérito Bento XVI, em encontro com os namorados na Praça de Ancona, em 11 de setembro de 2011.

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