Nossa Senhora do Desterro e os Refugiados

0

Por Cauê Fogaça, seminarista diocesano.

Permitam-me contar uma história a vocês: há um certo tempo, numa terra muito pobre, uma certa mulher recebeu o anúncio que estava grávida de uma criança. Essa criança tinha um futuro belíssimo. Ela marcaria e mexeria com as estruturas da sociedade. A mãe começou a fazer planos e sonhos, começou a pensar no enxoval.

O governo local impôs aos moradores que visitassem suas cidades e lá fizessem em recenseamento. Por serem muito pobres, eles não tinham condições de pagar uma hospedaria para a mulher, que entrara em trabalho de parto no meio da viagem. Pediram lugar a um e não conseguiram, pediram abrigo a outro e não lhes cederam. Imagine a angústia dessa mãe e desse pai ao verem a criança nascer em um lugar qualquer… Finalmente nasceu! A criança nasceu! Brilhou uma luz, uma nova vida! Essa luz foi ofuscada, logo em seguida, quando o pai descobriu que se continuassem ali naquela terra, o governante mataria o seu filho, que havia acabado de nascer. Partiram, fugiram, sumiram, largaram tudo, abandonaram os sonhos, os projetos e o enxoval para trás.

Neste ponto da história, você deve estar imaginando que estamos falando da Sagrada Família de Nazaré, a família de José, Maria e Jesus, não é mesmo? Na verdade, eu estava contando a história de uma família de refugiados que tentam de tudo para sobreviver. A Virgem Maria é uma dessas refugiadas; ela e sua família perderam tudo por conta de um certo tirano. Quantas vezes nós não ouvimos no rádio, vimos na TV, lemos em sites e nos jornais a triste situação de refugiados, especialmente os saídos do oriente médio rumo à Europa? É uma situação triste, deplorável. Em alguns meios saem notícias de governos cristãos que não acolhem esses povos para não perderem a “cristandade cultural”, enquanto o Divino Mestre, Jesus Cristo, afirmou que os benditos do Pai são aqueles que lhe deram um copo d’água quando teve sede, que lhe deram comida quando teve fome, que o foram visitar quando esteve preso…

O Papa Francisco, que, na primeira viagem de seu pontificado visitou a ilha italiana de Lampedusa, onde morrem milhares de pessoas todas as semanas simplesmente por buscarem vida digna, alertou que o drama dos imigrantes refugiados deve mexer profundamente com a vida de fé dos cristãos. Ele deu esse exemplo, foi até lá para “chorar os mortos que ninguém chora.” Esse belo testemunho do Papa deve nos impulsionar a fazer diferente em nossa vida, a agir diferente, a pensar diferente.

A família de Nazaré também teve de fugir, também viu as luzes irem se apagando diante deles, viu os medos tomarem conta, mas nunca desistiram de fazer da vida o grande projeto do Pai. O Menino Deus-Conosco, que celebramos seu nascimento há pouco mais de um mês, também foi um refugiado. Ele teve chance de seguir em frente, levar a luz, cumprir os planos do Pai; e por qual motivo tantos outros refugiados hoje não podem ter essa chance? Que a Virgem do Desterro nos ajude a entender o projeto do Reino de Deus como um projeto de vida e vida em abundância, e que nossas atitudes possam amenizar as dores de tantos que sofrem por deixarem tudo para trás. Que Deus nos ajude. A missão agora é nossa!

Sobre o Autor

Para para contribuir com nossos trabalhos nos contate pelo e-mail comunicacao@setorjuventudesa.com.br.

Os comentários estão fechados.

Comente pelo Facebook