O dia em que o Brasil parou

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Por Camila Vitor.

Não, não foi mais um “anúncio de fim de mundo”, nem algum asteroide que podia destruir a terra ou algo do tipo. Mas as redes sociais, as pessoas dentro dos ônibus, dos trens, nos trabalhos e nas rodas de conversa só falavam do mesmo assunto: A queda do WhatsApp, bloqueado por 48h a nível nacional devido á uma investigação criminal. E isso gerou um grande “tumulto”.

Os celulares estão se transformando em um dos principais obstáculos para a comunicação interpessoal. Os aplicativos  nos “aproximam” dos que estão longe, mas cada vez nos afastam mais dos que estão perto.

É difícil encontrar alguém hoje em dia sem celular. As pessoas o levam na mão, como um sexto dedo, ou colado ao ouvido, ou vibrando e tocando no bolso. Quase ninguém quer se separar dele. É como se algo terrível pudesse acontecer se tocar e não responderem.

Todos nos sentimos rejeitados quando, no meio da conversa, alguém prefere atender ao telefone em vez de ignorá-lo. A mensagem é clara: quem está longe me importa mais que você. Se você conversa com alguém que não larga o celular, sabe que a qualquer momento poderá ser interrompido. Você vale menos que a próxima atualização.

Estar na presença de um celular significa não estar 100% nesse lugar. Você está, mas sua atenção está dividida, nunca está por inteiro em lugar nenhum.

Portanto, o verdadeiro luxo neste século 21 é conversar sem celulares. O celular é má companhia.  Isto é, a simples presença de um celular é um obstáculo para a boa comunicação entre duas pessoas. E se a isso acrescentarmos toda a carga informativa e o valor afetivo incluídos em nossos celulares – fotos, telefones, segredos, dados confidenciais, senhas, é claro que é muito difícil nos comunicarmos com alguém em pessoa sem também dar atenção ao aparelho.

Mas basta suprimir a tecnologia e toda a nossa “cultura” se desmorona. É uma escravidão que não percebemos, um afastamento das pessoas que amamos, que mantemos laços de amizade… Algo que deveria nos aproximar, nos faz mal sem que ao menos percebamos.

Nossa oração fraqueja, nossas amizades se esgotam, em um grupo de amigos ficamos fechados em nós mesmos, em nossos mundos de smartphones e atualizações.

Nada substitui, também, os momentos de oração e leitura da Bíblia, a qual, mesmo com tanta tecnologia, continua sendo lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Salmo 119,105).

Aproveite as 48h de desintoxicação tecnológica não para substituir o WhatsApp por outros aplicativos, pra murmurar nas redes sociais ou só falar disso com seus amigos. Aproveite o dia (e o calor) para ler livros que esqueceu na estante, reze por seus amigos, ABRACE! Você se lembra a última vez que deixou o celular de lado e recebeu ou deu um bom abraço em alguém, sem preocupação?

Talvez as gerações anteriores,essas das quais nós tanto reclamamos, tenham vivido com muito mais intensidade a vida que nós jovens deixamos passar por viver com o rosto sempre nas atualizações.

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