O que é a espiritualidade de Taizé?

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Em 1940, enquanto a Europa vivia os horrores da Segunda Guerra Mundial, o jovem Roger decidiu acolher os refugiados em um local que veio a se tornar a Comunidade Taizé (Lê-se tezê) . Por respeito às diversas confissões religiosas dos refugiados, o Ir. Roger rezava sozinho, mas aos poucos foi reunindo consigo outros jovens interessados. Em 1942 tiveram que deixar o local, por causa dos militares que haviam descoberto a pequena comunidade. Regressaram em 1944, já com os primeiros irmãos. Na Páscoa de 1949 já eram 7 religiosos, que se comprometeram através dos votos do obediência, pobreza, castidade e de uma vida comunitária de muita simplicidade.

Em 1986, durante uma viagem a França, o Papa João Paulo II passou pela comunidade Taizé. Naquele dia, mais de 7 mil jovens estiveram presentes na oração com o então Pontífice. São João Paulo II disse: “Como vós, peregrinos e amigos da comunidade, o Papa está só de passagem. Mas passa-se por Taizé como se passa perto de uma fonte. O viajante para, mata a sede e continua o seu caminho. Os irmãos da comunidade, como sabeis, não querem deter-vos. Querem, na oração e no silêncio, permitir-vos que bebais a água viva prometida por Cristo, que conheçais a sua alegria, que reconheçais a sua presença, que respondais ao seu chamamento, e depois que torneis a partir para dar testemunho do seu amor e servir os vossos irmãos nas vossas paróquias, nas vossas cidades e aldeias, nas vossas escolas, nas vossas universidades e em todos os vossos locais de trabalho.”

Outra amizade que rendeu muitos frutos foi Dom Hélder Câmara. Ele fez com que os irmãos se estabelecessem no Brasil em 1966. A primeira fraternidade nasceu em Olinda (PE), que era a diocese de Dom Hélder. Em 1972 passaram por Vitória (ES) e em 1978 se estabeleceram na cidade de Alagoinhas (BA), cidade que até hoje abriga a Comunidade Taizé no Brasil.

A rotina da comunidade é muito simples, e talvez por isso tenha atraído tantos jovens ao longo dos seus quase 80 anos de existência. Uma Eucaristia é celebrada na cripta logo pela manhã, em seguida uma oração comunitária, com salmos, leituras e os conhecidos refrões de Taizé – pequenos trechos bíblicos ou textos que são musicados e repetidos, como um mantra, em diversos idiomas. Todos são convidados a trabalhar nos diversos ofícios da comunidade: limpeza dos espaços comuns, organização da igreja, sacristia, ensaios com o coral, trabalho da loja de livros e artesanato, cozinha geral, entre outros. Ao meio dia é feita outra oração comunitária breve, e no início da noite uma oração mais demorada. Toda sexta-feira é recordada a Paixão de Cristo com a oração da cruz, onde os presentes podem contemplar um ícone do crucificado e depositar a fronte no madeiro da cruz. Aos sábados é celebrada a oração da luz, com velas que recordam a ressurreição de Cristo.

O Ir. Roger foi assassinado em 16 de agosto de 2005, durante uma oração dentro da igreja da Reconciliação. Ir. Alois, que já havia sido escolhido por Ir. Roger para assumir a comunidade, tornou-se o prior. Ir. Alois esteve no Brasil diversas vezes. Durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, ele, os irmãos e alguns jovens se reuniram para rezar na capela localizada no alto do morro Santa Marta, em Botafogo.

Ecumenismo

Um dos diferenciais que tanto atraíram jovens do mundo todo era o chamado por uma unidade visível dos cristãos. Em Taizé não há divisão ou diferença entre as denominações cristãs. Segundo as palavras de ir. Alois: “Para o irmão Roger, a procura da reconciliação entre os cristãos não era um tema de reflexão: era algo que tinha efetivamente de ser feito. Para ele, acima de tudo, o que era importante era viver o Evangelho e comunicá-lo aos outros. E o Evangelho só pode ser vivido juntamente com os outros. Não tem sentido nenhum tentar vivê-lo uns separados dos outros”.

Ir. Rodolfo, o atual prior da comunidade no Brasil, relata que a experiência de viver num bairro de periferia é desafiadora. A questão do ecumenismo naquela realidade é ainda pouco palpável, mas possível. Uma das maneiras dos cristãos se aproximarem é deixar de criticar e apontar o que os torna diferentes. “Sendo de tantas Igrejas diferentes, um irmão aprende do outro o melhor que a Igreja dele oferece”, afirma.
Segundo o prior, o primeiro passo é descobrir os dons uns dos outros. “Louvar a Deus pelos dons dos outros, oferecer uma visita sem julgamentos, não falar em primeiro lugar dos defeitos da outra pessoa”. Estes pequenos gestos, segundo ele, aproximam os cristãos.

Em breve vamos aprender mais sobre essa espiritualidade!


Fonte: www.franciscanos.org.br

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