O que é a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos?

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Por Padre Ademir.

Olá Juventude sedenta de Verdade e Unidade, desta querida Diocese de Santo André.

De 17 a 24 de maio de 2015, no Hemisfério Sul, e portanto, também no Brasil, estaremos celebrando, refletindo, aprofundado a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Mas o que é a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos? Quando surgiu? Esse Movimento Ecumênico é realmente aceito pela Igreja Católica Apostólica Romana?

Para responder a essas questões, é preciso compreender um pouco a história. Aliás, vejam, queridos jovens, quanto é importante aprendermos bem a disciplina de História na escola e na faculdade, ela faz falta na compreensão das coisas da fé. Espero que você, jovem que me lê, não tenha “matado” muitas aulas de história em sua fase estudantil.

Primeiramente, é preciso compreender que esse Movimento Ecumênico (que é diferente do Diálogo Inter-Religioso) é suscitado pelo Espírito Santo no momento histórico em que vivemos. Se quem governa os acontecimentos da História humana é o bom Deus, em Sua divina providência, através de Seu Espírito, não há como não reconhecer, analisando a história recente do mundo e da Igreja, que é a vontade de Deus que: “Todos sejam um” (Jo 17,21). 

 É uma iniciativa de Deus que, no entanto, pela mesma Vontade divina, depende de nosso esforço humano para se concretizar e ser realizada.

Olhando para a História, saberemos que foi entre os irmãos protestantes que surgiu essa necessidade de reunir as diversas denominações e evitar a grande fragmentação do protestantismo.

 Mais interessante ainda, é realçar que a juventude teve um papel muito importante na história do ecumenismo. Na Wikipédia encontrei a seguinte informação: “A partir da segunda metade do século XIX, surgiram as associações mundiais leigas de jovens, que foram fundamentais para o desenvolvimento do ecumenismo. A primeira destas associações, de cunho ecumênico, foi a Associação Cristã de Moços, criada em Londres em 1844, por George William, que se espalhou pelo mundo e organizou-se em uma Associação Mundial a partir de 1855. A Associação Cristã Feminina, também londrina, foi criada em 1855. Outras organizações também tiveram sua importância: Movimento de Estudantes Voluntários para as Missões Estrangeiras, de 1886, e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos, de 1895, ambos organizados por John Raleigh Mott, que foi um grande líder das iniciativas ecumênicas”.

Todo este movimento ocorria fortemente no âmbito protestante, sobretudo entre a juventude. Porém, do lado católico a mentalidade de então, fazia compreender o ecumenismo de forma limitada, como se fosse apenas um retorno de todos os cristãos à Igreja com sede em Roma.

Mesmo assim, já com o Papa Leão XIII, começamos a perceber o direcionamento de Deus, pelo Espírito Santo, e os consequentes passos em direção ao momento em que nos encontramos hoje.

Ao promulgar a encíclica Provida Mater, em 1895, Leão XIII instituiu um tempo de novena pela reconciliação dos cristãos entre as festas da Ascensão e de Pentecostes. Ainda o Papa Leão XIII, na encíclica Divinum Illud Munus,( Aquela Divina Missão- sobre a presença e virtude admirável do Espírito Santo) de 1897, disse: “decretamos, portanto, e mandamos, que em todo o mundo católico, neste ano, e sempre no futuro, a festa de Pentecostes seja precedida pela novena em todas as igrejas, paróquias, e também nos outros templos e oratórios, conforme a orientação dos Ordinários”.

Mas foi necessário esperar o tempo de Deus, para que a Igreja Católica pudesse aderir oficialmente e com grande empenho no movimento ecumênico a partir de 1960, quando São João XXIII então papa, criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos.

Com a realização do Concílio Ecumênico Vaticano II, a publicação do Decreto Conciliar Unitatis Redintegratio (restauração da Unidade- sobre o ecumenismo) de 1964, do beato Paulo VI, papa, e ainda a publicação da Encíclica de São João Paulo II, Ut Unum Sint (Que sejam um- sobre o empenho ecumênico), de 1995, a Igreja Católica escreveu a sua grande contribuição para este movimento.

Foi a partir de 1968, que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos passou preparada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, até os dias atuais.

A data de celebração da Semana de Oração pode variar, por exemplo, na Europa em geral a Semana se faz de 18 a 25 de janeiro; aqui no Brasil preferimos o período que fica entre Ascensão e Pentecostes.

Voltando a nos centrar novamente no tema da Semana de Oração deste ano, vemos que ele é inspirado e fundamentado no texto bíblico do evangelho de João, 4, 1-42, onde acompanhamos a narração do encontro de Jesus com a Samaritana.

 Quando a samaritana aproximou-se para tirar água do poço e foi interpelada por Jesus que lhe disse: “Dá-me de beber!” (Jo 4,7), a sua resposta põe a claro uma divisão, uma separação entre aqueles que creem no único Deus.

Diz a samaritana, respondendo a Jesus: “Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?” (Jo 4, 9). (os judeus, com efeito, não se dão com os samaritanos.)

É interessante perceber qual a atitude de Jesus, qual a vontade do Pai que Ele revela a nós neste diálogo com a samaritana. Ele, mesmo sabendo dessa separação/divisão entre judeus e samaritanos, e mesmo tendo sido educado entre este povo que odiava os samaritanos, tem a iniciativa de se aproximar, puxar conversa, dialogar, quebrando com uma postura defensiva e aparentemente irreconciliável, fundada em preconceitos, brigas, desentendimentos e ódios históricos.

Jesus, mesmo sendo a Verdade, se faz humilde para revelar e conduzir a todos nós à verdade plena e à Unidade. É ele quem pede à samaritana: “dá-nos um pouco da tua água”. (Jo 4,7). Jesus, sendo o Mestre e Senhor, assim o fez para nos dar uma lição e exemplo de como devemos nós viver também nos dias atuais.

Dar o primeiro passo em direção ao irmão que expressa sua fé diferente de nós. Ser humilde para se aproximar e estabelecer um diálogo fraterno, que perdoa e restaura as relações fraternais. Não deixar-se levar por preconceitos e muito menos por ódios que existiam há séculos.

Vamos nos organizar e realizar alguma atividade com a juventude de outra denominação cristã de nosso bairro? Vamos preparar momentos de oração em nossa comunidade/paróquia conforme a orientação do subsídio da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos? Vamos, em nossas orações pessoais colocar esta intenção durante esta semana e sempre?

Que o Espírito Santo possa encontrar em nossos corações juvenis a oportunidade de fazer avançar este diálogo ecumênico já iniciando com grande participação da juventude cristã.

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