Os Avós de Jesus

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Em cada fase da vida familiar, há relações que circulam entre nós

e carregam sentidos profundos para o viver.

Os avós, em geral, são gente simpática. Duas vezes mãe, duas vezes pai, eles somam o carinho com a experiência de vida. E se antes foram rigorosos, agora têm a chance de serem mais mansos e tranquilos. Talvez, por isso, as crianças têm um fascínio particular pelos avós. Ao mesmo tempo, eles veem nas crianças o prolongamento de sua própria vida, um misto de saudade e esperança.

Jesus teve avós? A Bíblia não fala sobre isso, mas não é difícil imaginar que realmente teve. Os pais de Maria, mãe de Jesus, recebem o nome de Joaquim e Ana em um Evangelho apócrifo (não autêntico) do século II, chamado Protoevangelho de São Tiago. A veneração por eles se consolida muito tempo depois, na Idade Média. Embora a gente apenas imagine os detalhes da relação de Joaquim e Ana com sua filha Maria e com seu neto Jesus, podemos apostar que Maria aprendeu deles a fé e a confiança profunda em Deus; e que Jesus menino também recebeu o carinho e a fé dos seus avós. Muitas imagens e pinturas antigas sugerem isso.

A memória de São Joaquim e Santa Ana traz uma mensagem direta sobre nossa relação com os mistérios de Deus em nossas relações familiares. Eles são padroeiros dos avós.

A devoção a São Joaquim e Santa Ana foi trazida ao Brasil nos tempos coloniais. Muitas igrejas foram dedicadas a eles, e sua devoção se espalhou até hoje. São padroeiros dos avós e também símbolo da proteção carinhosa de Deus que nos dá a missão de transmitir sabedorias de vida.

Eles veem crescer a autonomia dos filhos, que se casam e já não aceitam interferências. Às vezes, também algumas tensões familiares geram distanciamentos. Mas é mais frequente ver os avós com uma nova função na família moderna: enquanto os pais e as mães vão trabalhar fora, os avós estão lá dando cobertura e apoio. E mesmo que, às vezes, sejam um pouco explorados pelos pais das crianças, os avós manifestam um carinho muito benéfico para a educação dos pequenos.

Estudiosos, entre os quais Winnicott, mostram como as figuras dos pais e também dos avôs são diferentes, e como essas diferenças são complementárias e benéficas para as crianças. A mulher desenvolve relações envolventes, cujo símbolo maior é sua gravidez. E mesmo que nunca engravide, a mulher carrega em si a tarefa de cuidar dos mistérios da vida. O homem tende a desenvolver a experiência de ser uma unidade exclusiva, que atua nos mistérios da vida como que a partir da exterioridade. Mas ambas as figuras são importantes para a educação das crianças. De fato, nossa vida sempre interage nessas duas direções de interioridade e exterioridade.

Existem, portanto, sentidos bonitos nas diferentes fases de nossa vida. A fé nos ajuda a perceber que temos sempre a possibilidade de comunicar e receber forças construtivas de vida. Por isso, a memória de São Joaquim e Santa Ana traz uma mensagem direta sobre nossa relação com os mistérios de Deus em nossas relações familiares. Eles são padroeiros dos avós. A devoção cristã vê a grandeza desses santos na grandeza do seu neto, Jesus. Assim também nossos avós podem curtir uma alegria íntima, na esperança de seus netos serem importantes para um futuro feliz da humanidade.

Pe. Márcio Fabri dos Anjos

Fonte: Campanha dos Devotos – Santuário Nacional de Aparecida 

 

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