O Milagre de Corpus Christi

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Por Isaak Negrão

Desde pequenos, sempre víamos aquela gigantesca procissão pela rua na festa de Corpus Christi, o povo entoando hinos e orações, mas será que entendemos o verdadeiro sentido de tudo aquilo?

De longe, uma festa de extrema importância para a Igreja e seus fiéis, com sua instituição pela bula Transiturus de hoc mundo (passando deste mundo), em 11 de agosto de 1264, pelas mãos do Papa Urbano IV. Em um pequeno trecho da bula, Urbano IV diz:

“Embora a Eucaristia seja celebrada solenemente todos os dias, na nossa opinião, é justo que, pelo menos uma vez por ano, se lhe reserve mais honra e solene memória. Com efeito, as outras coisas que comemoramos, compreendemo-las com o espírito e com a mente, mas não por isso alcançamos a sua presença real. Ao contrário, nesta comemoração sacramental de Cristo, ainda que seja de outra forma, Jesus Cristo está presente no meio de nós na sua própria substância. Com efeito, quando estava prestes a subir ao Céu, Ele disse: Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt 28, 20)”

Reza a história que uma freira chamada Juliana de Mont Cornillon (†1258), recebia visões em que o próprio Jesus lhe pedia que fosse criada uma festa em honra a Eucaristia, posteriormente o padre Pedro de Praga celebrava uma missa em Bolsena, na cripta de Santa Cristina, quando duvidou da presença real de Cristo na Eucaristia e então o Senhor o agraciou transformando o pão em carne e fazendo com que escorresse sangue pelos corporais dispostos no altar.

O Papa Urbano IV com a notícia de que naquele episódio o pão havia se transformado em carne e derramado sangue, isto é o verbo se fez carne (Et verbum carum factum est) solicitou que transladassem as relíquias para Orvieto, saíram o padre e uma multidão em procissão, com toda a dignidade merecida, encaminhando-se para a cidade onde estava o santo padre acompanhado de numerosos Cardeais e Bispos que foram ao encontro da relíquia para conduzi-la a catedral. Pouquíssimo tempo após o episódio, veio a bula Transiturus de hoc mundo que instituiu a nova festa, como já mencionado.

Nosso Código Canônico em seu Cân. 944 solicita que onde for possível a juízo do Bispo diocesano, na Solenidade do na festa de Corpus Christi faça-se a procissão em vias públicas. O que hoje em todo o Brasil é feito com muita dignidade, com inúmeros tapetes de serragem confeccionados em honra ao nosso Senhor, tradição portuguesa trazida ao nosso povo.

Famigerado se tornou a história em que Urbano IV, solicitou que alguns doutores da Igreja compusessem um Ofício, próprio para a Missa da nova solenidade e nesta ocasião dois grandes personagens se encontravam: Frei Tomás de Aquino e Frei Boaventura. Conta a história que Frei Tomás foi o primeiro a expor seu ofício, ao iniciar calmamente desenrolou um pergaminho e declamou pausadamente a Sequência que compôs:

Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis (Louva, Sião, o Salvador, o teu guia, o teu pastor com hinos e cânticos), todos se maravilharam ao ouvirem essas palavras, e então continuou com a sequência: tuos ibi commensales, cohæredes et sodales, fac sanctorum civium (admiti-nos no Céu, à Vossa mesa, e fazei-nos co-herdeiros na companhia dos que habitam a Cidade Santa). Após essa parte Frei Boaventura e os outros que ali estavam rasgaram suas composições e renderam graças a composição de Aquino.

Que o Senhor nos torne cada dia mais dignos de recebê-lo em nosso corpo, em especial nesse dia de Corpus Christi.

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