Testemunho Vocacional | Frei Diego da Ordem de Santo Agostinho

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Por Frei Diego Fernando Moreira.

Olá, sou Diego Fernando Moreira, tenho 27 anos e sou Religioso na Ordem de Santo Agostinho – Agostinianos. Curso o 3º ano de Teologia, no ITESP, em São Paulo, e moro na Fraternidade Santo Dias, em Diadema/SP. É com o coração inquieto e agradecido a Deus que partilho com você as motivações e inspirações que me fizeram perceber o chamado e os sinais de Deus desde o chão da minha história.

Sou natural da cidade de Franca, São Paulo. Minha família sempre foi minha referência de fé. Gente simples, muito religiosa, foi ali que desde cedo eu ia fazendo a experiência de Deus através dos terços em família, grupos de reflexão bíblica e as orações. Minha mãe foi minha primeira catequista, e uma das minhas mais remotas lembranças é de estar no berço, de mãos unidas, aprendendo a fazer o sinal da cruz e rezar o Pai-Nosso, Ave Maria, Credo e a Salva Rainha. Era proibido dormir sem antes rezarmos juntos. Foi minha mãe também que me introduziu na vida da Comunidade me levando nas Celebrações Dominicais numa Comunidade pequena, das CEB’s, perto de casa, dedicada a São Francisco Xavier, grande missionário jesuíta. Ali tínhamos Missa apenas uma vez ao mês, mas o Culto era bem celebrado. Faço memória das reflexões bonitas e espontâneas que o povo fazia. Éramos ‘comum-unidade’. Foi ali que recebi os sacramentos da Eucaristia e do Crisma, e onde fui Catequista também.

frei-diegoA bonita religiosidade da minha família também se revela na participação viva deles na vida eclesial. Meus avós sempre foram esses pilares/raízes da minha experiência de fidelidade e fé, além dos meus tios, sendo que um é Padre Agostiniano Recoleto e outro Diácono Permanente, além das minhas tias que trabalham ativamente na comunidade. Graças a Deus nunca me faltaram este ‘sinais iniciais’ da ternura de Deus, que futuramente me norteariam no discernimento vocacional.

A espiritualidade agostiniana sempre fez parte da minha história. Seja por influência do meu tio que é Padre, seja por frequentar inclusive o seminário anexo à paróquia de onde venho. Mal sabia eu que este carisma ia criando raízes profundas e me cativando a cada dia. Assim, aos 13 anos, a convite de minha tia, eu ingressava no Serviço de Animação Vocacional na paróquia em que participava. Foi um trabalho que durou 7 anos, só que o questionamento era sempre o mesmo: eu auxilio tantos a discernirem sua vocação, “mas e a minha?”.

Foi quando, retornando de uma das missões que fui fazer com meu tio Padre, ele me questionou: “o que você vai fazer da sua vida?”, “em que vai empregar sua juventude? – não consuma sua vida no mundo, fazendo de Deus sua última opção…”- essas palavras me balançaram. Silenciei! O silêncio foi fruto do eco das palavras em meu coração e, após muita oração, saí dali decidido a iniciar um processo de acompanhamento vocacional. É bonito como Deus se manifesta assim, com sinais tão fortes na nossa vida, nos amparando, sinalizando o caminho, clareando as ideias e sendo nosso amigo.

Depois de uma experiência, conheci através de um confrade a Ordem de Santo Agostinho, e foi ali, naquela forma tão genuína, humana e autêntica de viver o carisma agostiniano que vi a grande possibilidade de consagrar definitivamente minha vida no seguimento de Jesus, seguindo a inspiração de Santo Agostinho.  Me recordo aqui de um marca-página que recebi no Encontro Vocacional que dizia assim: “Vocação é um arriscar-se nas mãos de Deus!” – como essa frase por tantas vezes me motivou a seguir em frente, arriscando tudo, confiando no Senhor e em sua  vontade, superando as dificuldades. É aqui, entre os meus irmãos Agostinianos do Vicariato Nossa Senhora da Consolação do Brasil que venho fazendo a experiência do carisma, expresso na interioridade, na vida comunitária por meio da amizade, da partilha com os irmãos, do sonhar junto, da missão, e finalmente do apostolado através do serviço à Igreja traduzido no ser com o outro, com os pobres, marginalizados, excluídos. É nesse último pilar da nossa espiritualidade – Apostolado – que vemos contemplada a ‘Igreja em saída’ proposta pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium. Assim como precisamos ser essa ‘Igreja em saída’, nossa vocação também necessariamente deve nos projetar para fora de nós mesmos, ser uma vocação para os outros, para a missão, para o serviço!

As motivações e o modelo eclesial proeminentes do Concílio Vaticano II sempre inspiraram o ideal e a missão do nosso Vicariato. Essa opção de inserção é expressa em nosso ideal norteador, nos projetos sociais, casas de formação junto às periferias e na forma como caminhamos como e junto do povo de Deus. Mais precisamente, a presença dos Agostinianos na periferia da cidade de Diadema, na Diocese de Santo André, se inicia no ano de 1988, por todo o contexto de luta social e defesa dos direitos humanos, sobretudo dos operários. Nossa casa, conhecida como ‘Fraternidade Santo Dias’, foi assim nomeada por estarmos em comunhão com o testemunho de Santo Dias da Silva, operário metalúrgico e membro da Pastoral Operária de São Paulo. Ele foi morto pela Polícia Militar quando comandava um piquete de greve, no dia 30 de outubro de 1979. Era lavrador, mas foi expulso da terra onde vivia com a família, em 1961, após participar de um movimento por melhores condições de trabalho. Deste modo, motivados por essa causa e a luta pela vida do povo é que temos caminhado, reforçando a opção preferencial por eles, aprendendo o Evangelho da vida e sendo Igreja. E assim, atuando nas paróquias e movimentos eclesiais e populares é que vamos integrando a reflexão teológica da vida com a fé, tecendo nossa história junto a de muitos dos irmãos e irmãs que vamos fazendo pelo caminho.

Nesta Diocese somos presença e comunhão na Paróquia São Pedro Apóstolo e no Santuário Nossa Senhora Aparecida em São Bernardo do Campo e na Paróquia Sant’Anna, em Ribeirão Pires, além do Núcleo Santo André – CRB São Paulo e, vinculado a este, o Grupo das Novas Gerações de Santo André, na Pastoral Operária e também temos representação junto ao Fórum das Entidades da região norte de Diadema.

É no vai e vem da vida, nas idas e vindas, nas estações, no costurar e no soltar os pontos dessa teia de relações, pessoas e histórias, que vamos fazendo a experiência de Deus revelada em nossa vida. Ele nos chama assim, e age com muita ternura para conosco, cuidando de todos os detalhes.

E você que está acompanhando este testemunho, já discerniu a sua vocação? Seu coração também está ardendo no desejo do servir, seguindo a Jesus Cristo mais de perto? Meu irmão, minha irmã, Deus tem sinalizado a você seu chamado, você só precisa se colocar numa atitude de escuta sensível e abertura do coração. Ele fala no concreto da nossa vida, na realidade, nos sinais dos tempos. Não permita que um movimento contrário, exterior, artificial desmotive ou tire você do caminho. Neste ano dedicado à oração pela Vida Consagrada, digo de coração aberto a você: Siga de olhos fixos em Jesus! Vá fundo nos teus sonhos e ideais, com alegria, ousadia e tenha certeza que Ele nos criou/chamou para a felicidade! Diga SIM!

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